
Enquanto imprimia suas mãos no pedaço de papel alguém em algum outro lugar escrevia uma mensagem, outro plantava uma horta, muitos construiam casas, consertavam coisas, inventavam soluções e faziam descobertas. Ao mesmo tempo, outras tantas pessoas usavam suas mãos para segurar armas, atirar pedras, distribuir medo e horror, destruir e arruinar.
Naquele mesmo dia, depois de sujar suas mãos com tinta, o menino desenhou até cansar. Pintou, inventou uma cidade inteira, imaginou uma corrida de carros, criou um desfile de escola de samba usando peças de um brinquedo. Correu, pulou, jogou bola e por fim, depois de espalhar alegria e brincadeira por onde passou, abraçou sua mãe e muito contrariadamente foi dormir. Ele mal podia esperar o próximo dia chegar, porque apesar de tão pequeno já sabia: quanta coisa boa a gente pode fazer com nossas mãos, um pouco de criatividade e boa vontade.