
Imagine observar o mundo lá de cima como se fossemos curiosos alienígenas, admirados com o modo de vida e as invenções humanas.
Certamente nos chamaria atenção a quantidade de caixas pequenas, médias e grandes que circulam por nosso planeta. Incríveis objetos que, lá de cima, parecem quadrados e retângulos que se movem.
Qual não seria nossa surpresa ao chegar aqui. Olhando mais de perto veríamos que essas formas andam sobre rodas e levam as pessoas por toda parte. Um ótima invenção! Afinal, essas caixas servem para nos ajudar a ir mais longe em menos tempo - sem nos cansarmos tanto quanto se tivéssemos que andar ou correr. Genial!!!
Mas então porque é que quem anda nas caixas pequenas - e olha que é a maioria - está sempre tão irritado? Por que buzinam sem parar e cruzam uns na frente dos outros como se estivessem concorrendo ao grande prêmio de fórmula 1?
Não demoraria e enxergaríamos as "maluquices e coisas sem sentido" desse "sistema de locomoção". Notaríamos que nas caixas pequenas há quase sempre somente uma pessoa (normalmente bem irritada e apressada) bem confortável lá dentro, já nas caixas maiores muita gente, e gente até pendurada. Tudo muito esquisito.
E nem precisaria ser de outro mundo para notar, se bem que eu aqui, que me sinto um pouco alienígena, recém-chegado ao planeta, ainda tento entender o porquê de certas coisas...
Às vezes é bom olhar a vida de fora, como se fossemos de outro mundo, deitar no chão e procurar um novo ângulo, um ponto de vista diferente.
Minha mãe disse uma palavra difícil para explicar porque as pessoas deixam esse tipo de coisa acontecer, disse que quando o ser humano se acostuma com algo que é ruim isso se chama psicoadaptação. Eu por enquanto acho que precisamos pensar em novas soluções... e é urgente!
Para refletir: sugiro a leitura do livro (que acabei de ler) As caixas que andam, de Jandira Masur, com ilustrações de Zeflávio Teixeira, publicado pela Editora Ática.